Ao longe o peloteiro negocia a travessia com o viajante. As orientações são para que o trajeto até a outra margem do arroio Pelotas, seja com êxito. E sob um vento sul gelado do inverno do extremo sul do Brasil, com o som do Sopapo de fundo, o índio pampeano joga-se na água puxando a pelota com o passageiro até o seu destino.
Vestido com trajes típicos da época: bota garrão de potro, xiripá, pala de lã e
chapéu, ele ressalta que há tempos pensava em resgatar a história da idade do
couro e por meio da embarcação usada pelos indígenas e que originou o nome da
cidade, sendo essa a forma de homenagear Pelotas. Coragem teve o diretor do
Parque do Gaúcho, empresário Marcos Souza Gomes que por um dia virou um índio
pampeano, trajando roupas simples com um caiapi, espécie de capa de couro, para
jogar-se nas águas geladas do arroio e atravessar 70 metros a nado, numa
profundidade de cinco metros. Tudo para encenar o que por muito tempo serviu de
transporte de passageiros e de pertences.
História
De acordo com a responsável técnica do projeto,
Fernanda Valente de Souza, a travessia de pelota antecedeu a era do charque, e
chamou a atenção de muitos que passaram pela então freguesia São Francisco de
Paula. "O charque era levado em iates, mas a pelota chegou a fazer parte do
ciclo que trouxe riqueza à cidade. A embarcação tem capacidade de 15 arroubas,
ou seja, 225 quilos.
A resignificação do negro na história da Princesa do
Sul foi representada pelo griô Dilarmando Freitas, que ecoou o toque do tambor
durante a encenação. "O instrumento feito pelos escravos, com troncos de árvores
ocas e couro de boi ou cavalo, era tocado às margens do arroio durante as
travessias." (DP)
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